Impermanência é a conexão direta com a transformação: mova-se!


Torres del Paine, Chile

O sol é energia.

Procuro sol como ratinhos atrás de queijo.


A "fotossíntese" diante da natureza é algo que amo em qualquer lugar do mundo, em qualquer temperatura, sozinha ou acompanhada, porque é um fenômeno natural, gratuito e único, que eu me conecto. Na Patagônia foi diferente, praticamente não vi o pôr-do-sol, os dias eram longos, quase até 23h, estávamos sempre descendo as montanhas, confraternizando, ou se arrumando para cruzar as estradas ou subir a próxima montanha. O corpo trabalha no limite mantendo o máximo de horas de atividades enquanto há luz. As caminhadas são longas, com paradas para comer, beber, trocar as camadas de roupa, tirar fotos...


É livre mas precisa de logística, atenção, foco. Andar, respirar, calar e parar nos momentos de contemplação. Erguer a cabeça, ouvir os sons primitivos atravessando o corpo junto do vento frio entre a mata e o gelo. E ali, de frente pra natureza imponente é que assumimos nosso tamanico na imensidão inexplorada que preenche qualquer vazio.


Ali sentimos que tudo pode ser mais simples, mais poético, mais rico e menos acelerado. Que viver é mudar de cidade, colecionar lugares, experiências, pessoas, histórias. É fazer da estrada a universidade que te forma na troca, na pareceria, na humanidade, no respeito, na prática por sua melhor versão que encaixe nesse mundo. O viajante ajuda. Quem ajuda cura. Quem cura entende o poder do dom. A gente precisa doar o que sabe e estar apenas disposto a receber o que vier. Quem doa sem intenção de troca não faz acordo, planta. Somos o que fazemos para nos tornamos mais de nós mesmos e menos dos outros.

A impermanência nos transforma, nos conecta em propósitos. Aprendemos, ensinamos, cada um de seu jeito. Não dá pra agradar a todos, mas dá pra ser tolerante e empático sempre.


Somos parte integrante desse ser vivo que pulsa organicamente inabitado no topo das trilhas mais incríveis e variadas. E todos somos parte desse imenso quebra-cabeças. No caminho, nada é coincidência. Tudo faz sentido. As pessoas, os lugares e as condições, tudo sempre terá sido o melhor naquele momento para você evoluir na direção que precisa ser. A gente aprende vivendo os limites e vibrando com a superação dos limites dos outros.


Ninguém tá sozinho. Somos todos um só. Somos natureza.

mussing.me

produtora de conteúdo e ação