City of Light, a milestone in Life.

Crônica publicada em inglês na revista de viagens Globestamp https://globestamp.com/travellerim/christianmussi1-2/

A vida é uma crônica e a lembrança pela sinestesia é um dom. 

Fechar os olhos para poder ver. 

Sentir um cheiro que traz um toque. 

O calafrio que recorda uma imagem. 

O barulho que traz de volta um lugar. 

Um gosto que transporta no tempo.


A sugestão de alguém que te conhece pode tornar uma a viagem mais interessante e criativa. Paris apresentou-se para mim romântica e especial ao seguir as sugestões de um amigo, bem mais velho e experiente, que já havia morado na cidade. Onde comprar o vinho, a padaria com melhor pão francês, que horas sentar às margens do Sena para assistir os barcos passarem, as longas caminhadas para sentir a cidade de um canto a outro entre seus principais monumentos. Passei o tempo necessário em cada Museu, assisti ao por do sol duas vezes, conheci franceses e tive a sorte de ser bem acolhida. Também visitei o estádio do PSG e o clube de tênis em Roland Garros, o esporte é parte de mim. Tudo encaixava, até mesmo chegar à cidade pela charmosa estação de trem Gare du Nord. Mesmo viajando sozinho, as pessoas são importante. Elas nos mostram caminhos e no caminho também encontramos com elas. 


Guardo aquele roteiro impresso como se meu amigo tivesse viajado junto comigo. 

No último dia fez muito sol. Deixei o hostel com fones de ouvido, minha lista de reprodução favorita e a câmera na mão. Meu destino era andar sem roteiro. 

Adoro a liberdade de permitir que as coisas aconteçam. No metrô, decidi que a ópera de Paris seria meu ponto inicial. Quando subi as escadas da estação, notei que o prédio da Ópera brilhava com o sol forte batendo em seus detalhes em ouro. Tirei os fones para sentir a movimentação intensa e de longe ouvi o som de Romeu e Julieta, do Dire Straits, umas das minhas músicas prediletas. 


Me guiei pelo som e encontrei um grande grupo sentado na escada embalado por um italiano que viaja o mundo com a namorada cantando. 
Os músicos espalhados pela Europa dão encanto e charme à cada esquina, pois não existe vida sem trilha sonora, a música deixa realmente tudo mais leve. 
Entre Beatles, Bon Jovi, Bob Marley e outros, ele começou a cantar: "delícia, delícia, assim você me mata, ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego...". 



De repente, todos ficaram de pé, e como se tivessem ensaiado para uma coreografia internacional, europeus, sul americanos, americanos, asiáticos, jovens e idosos, todos dançavam e cantavam aquele sucesso brasileiro do cantor Michel Teló. Foi uma das coisas mais divertidas que já vi, foi um surpresa, me senti em casa, e por isso adoro andar sem rumo.


O vídeo eterniza o momento, mas a experiência é que marca. É incrível como a música une culturas de uma forma tão poderosa.


Continuei minha caminhada sem destino por mais seis horas. Falei com franceses, holandeses, americanos, tibetanos ... eles fazem perguntas, pedem fotos, e assim vão todos caminhando pelas vielas e jardins registrando uma cidade que não dá para explicar. É Paris. Corri para o Centro de Artes Modernas Georges Pompidou para ver o sol se por com a Torre Eiffel iluminada ao fundo de um lado, e do outro a Basílica de Sacré Cœur. Um contraste perfeito de natureza e história antiga. 

Peguei o metrô para o boêmio bairro de Montmartre e foi quando mais uma vez a ausência de roteiro surpreendeu. Meu destino era arrumar a mala e descansar. 

Dentro da profunda estação de metrô, um rapaz sorria para mim. Haviam pelo menos cinquenta pessoas ali. 


Na segunda vez que olhei, ele sorriu. Era um típico jovem francês tradutor de livros que estava com um casal de amigos.

Ele arrumou um jeito de esbarrar em mim na roleta de saída e perguntou se eu tinha fogo. 


O papo ficou interessante, resolvemos sentar nas mesinhas de madeira aglomeradas na calçada em frente da estação de Montmatre, e tomamos algumas cerveja. 

Fui convencida de ir para uma festa de despedida de um americano. Lá tinham dois italianos, três holandeses, o americano, um casal espanhol e dez franceses. 

Foi divertido. Eles adoravam falar sobre o Brasil e futebol. Foi uma house party aconchegante. 


Quando voei para Dublin no dia seguinte, compreendi por que Paris é a cidade da luz, uma experiência, um marco na vida. Não é coisa de filme. 

É um filme da vida real com roteiros imprevisíveis. 


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Life is a chronicle and the memory for synesthesia is a gift.Close your eyes so you can see.Feel the scent that brings a touchA shiver that reminds you of an image.A noise that brings back a place.A taste that makes you travel in time.

Suggestions of people that know you may turn the trip into a much more interesting and creative one. Paris turned out to be much more romantic and special when looked over the eyes of a friend, older indeed, and former city resident. Things such as where to buy wine, the best bakery in town, how to observe the boats in Sena river, long walks across the city the historical monuments... I've spent the necessary time in each museum and have observed the sunset twice. About the French people, I've met many and they've always been welcoming. Everything was perfect, include getting to the city by train in the charming station of Gare du Nord. Even when you're travelling alone, people are very important showing us the way and being on our way. That itinerary made me feel as if my friend was there with me.

The last day was a sunny day. I left the hostel with my phone ears, my favorite play list and a camera on my hands. There was no script. Just walk and see what would happen. At the subway, I've decided that the Opera would be my starting point. As I climbed the stairs of the station, I've noticed that the building was shining as the sun hit its golden details. I took off my phones to feel the intensity of the city as I've heard from afar one of my favorite songs, Romeo and Juliet by Dire Straits.

I've guided myself by the sound and found a great group listening an Italian guy that travels the entire world with his girlfriend. There are musicians spread all over Europe giving charm to each corner, because there is no life without soundtrack. Music just lightens everything up. From Beatles to Bob Marley, he started singing a huge success in Brazil by Michel Teló that sounds a little like this: "oh, if I catch you; Oh my God, if I catch you"! Suddenly everybody stood up and started dancing as if they have rehearsed an international choreography! From Europeans to Asians, from the elderly to the younger ones, everyone was dancing! It was one of the funniest things I have ever seen!

So I've kept my journey with no destiny for about six hours. I've talked to French, Dutchmen, Americans, Tibetans... They all made questions, took photos as they walk through the streets and gardens of a city that you cannot explain. And that is Paris! I ran to Georges Pompidou center of modern arts to see the sunset contrasting with the illuminated Eiffel Tower. And on the other side, the Sacré Cœur Basilica. A perfect highlight among nature and history.

At the end of the day, I took the subway towards Montmartre. My plan was packing and resting. But the absence of a script surprised me again. Inside of the elevator of the metro station, a young man smiled at me. There were about fifty people there. The second time I looked, he smiled again. He was a typical charming young French that works translating books. He was with a couple of friends. He found a way to bump into me on our way out and asked if I had fire. We felt this connection and one thing led to another; there we were, on those agglomerated wooden tables in front of the charming subway station having a beer. Montmartre is a bohemian place. I was being convinced to go to an American farewell party. The place was charming. There were two Italians, three Dutchmen, the American, a Spanish couple and ten French.  They loved to talk about Brazil and soccer... It was a very cozy house party. When I flew to Dublin the next day, I finally could understand: Paris is not just a city, it is the city of light, a milestone in life. It's sure not a movie thing.It's a life movie with unpredictable scripts.

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